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Mascaramento autista: o que é e como o CAT-Q mede

4 min de leitura Novo

Uma pessoa segurando uma máscara sorridente na frente do rosto

Muitas pessoas autistas contam que gastam muita energia para parecer “normais”: imitam os outros, ensaiam conversas e escondem o que é natural para elas. Isso se chama mascaramento ou camuflagem. Pode tornar o autismo difícil de perceber de fora, tanto para os outros quanto, às vezes, para a própria pessoa. Neste artigo, explicamos o que é o mascaramento, por que as pessoas mascaram, qual é o custo disso e como o questionário CAT-Q o mede.

O que é mascaramento?

Mascarar significa esconder traços autistas ou usar estratégias para se encaixar socialmente. Os pesquisadores costumam usar a palavra camuflagem, que abrange três coisas:

  • Mascaramento: esconder traços e mostrar uma versão de si mais aceita socialmente, por exemplo forçando o contato visual, controlando as expressões faciais ou segurando movimentos repetitivos.
  • Compensação: usar estratégias aprendidas para compensar dificuldades sociais, por exemplo roteiros para o papo-furado, regras aprendidas em filmes e livros ou a análise das conversas depois que elas acontecem.
  • Assimilação: tentar se misturar aos outros, muitas vezes interpretando um papel, mesmo quando isso não parece natural.

O mascaramento pode ser consciente ou tão automático que a pessoa mal percebe. Muita gente começa ainda na infância, depois de aprender que o seu jeito natural de ser leva a provocações, bullying ou broncas.

Por que as pessoas mascaram?

Em estudos, adultos autistas citam vários motivos: fazer amigos e mantê-los, dar conta da escola e do trabalho, evitar o bullying ou a exclusão e não chamar atenção. Muitos dizem que mascaram para se proteger. O mascaramento pode funcionar a curto prazo e é uma resposta compreensível a um mundo que não foi feito para pessoas autistas.

Qual é o custo do mascaramento?

Mascarar exige muita energia. Muitas pessoas contam que ficam completamente esgotadas depois de situações sociais que, vistas de fora, parecem não exigir esforço nenhum. A pesquisa associa um alto nível de camuflagem a:

  • exaustão e o que muitas pessoas autistas chamam de burnout autista
  • ansiedade e depressão
  • a sensação de que ninguém sabe quem você realmente é, ou de perder o contato com quem você é
  • receber o diagnóstico tarde ou receber um diagnóstico errado

O último ponto é importante. Como o mascaramento esconde os traços, muitas pessoas, sobretudo mulheres, são avaliadas primeiro para outras coisas, como ansiedade, depressão ou transtornos alimentares. Algumas só são reconhecidas como autistas na vida adulta, muitas vezes depois de anos se sentindo diferentes sem saber por quê. Leia mais no nosso artigo sobre autismo em mulheres e meninas.

Como o CAT-Q mede o mascaramento

O Questionário de Camuflagem de Traços Autistas (CAT-Q) foi desenvolvido por Laura Hull, William Mandy e colegas e publicado em 2019. Ele se baseia em entrevistas em que adultos autistas descreveram a própria camuflagem. Tem 25 afirmações, como “Criei um roteiro para seguir em situações sociais” e “Monitoro minha linguagem corporal ou minhas expressões faciais para parecer à vontade”.

Você responde em uma escala de 1 (“Discordo totalmente”) a 7 (“Concordo totalmente”). Cinco afirmações são pontuadas de forma invertida. O total fica entre 25 e 175, e você também recebe uma pontuação para cada uma das três áreas: compensação, mascaramento e assimilação.

Como interpretar o seu resultado no CAT-Q

Não existe um ponto de corte oficial para o CAT-Q. Uma pontuação mais alta significa simplesmente mais camuflagem. No estudo original, os adultos autistas relataram, em média, mais camuflagem do que os não autistas, mas os grupos se sobrepunham. No test-autism.com, usamos estas faixas como orientação aproximada:

  • 25–79: muito improvável que você camufle traços autistas
  • 80–99: improvável que você camufle traços autistas
  • 100–119: provável que você camufle traços autistas
  • 120 ou mais: muito provável que você camufle traços autistas

O CAT-Q não diz se você é uma pessoa autista. Muitas pessoas não autistas também se adaptam para se encaixar, por exemplo quem tem ansiedade social. O resultado é mais útil junto com um questionário que mede traços autistas, como o AQ-50 ou o RAADS-R. Se você tiver uma pontuação moderada neles, mas alta no CAT-Q, isso pode ser um sinal de que os seus traços ficam escondidos e de que um questionário de triagem os subestima.

Se você se reconhece

Perceber que você mascara pode ser um alívio, mas também pode ser avassalador. Algumas coisas que muitas pessoas acham úteis:

  • Repare quando você mascara e em como você se sente depois. Que situações esgotam você mais?
  • Reserve tempo para se recuperar depois de situações sociais exigentes.
  • Encontre lugares onde você possa tirar a máscara, com pessoas que transmitam segurança a você ou em comunidades de pessoas autistas.
  • Converse com um profissional se você estiver passando por exaustão, ansiedade ou depressão, ou se quiser ser avaliado para autismo. Conte que você mascara, porque isso pode afetar a impressão que você passa. Leia o nosso guia sobre como conseguir uma avaliação de autismo na vida adulta.

Tem curiosidade de saber o quanto você camufla? Faça o CAT-Q de graça aqui.

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