Autismo em mulheres e meninas: por que tantas vezes passa despercebido
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Durante muito tempo, o autismo foi visto como algo que afeta principalmente meninos. Hoje sabemos que muitas meninas e mulheres autistas passam anos sem ser reconhecidas, e que muitas só recebem o diagnóstico na vida adulta. Neste artigo, vemos por que o autismo em mulheres tantas vezes passa despercebido, como ele pode se manifestar e o que você pode fazer se você se reconhecer.
Há mais mulheres autistas do que se pensava
Antes, dizia-se com frequência que havia quatro vezes mais meninos autistas do que meninas. Uma grande revisão de estudos de 2017 concluiu que a proporção real provavelmente está mais perto de três para um, e que meninas que preenchem os critérios para autismo têm menos chance de receber o diagnóstico do que meninos. Muitos pesquisadores acreditam que a diferença é ainda menor, porque as meninas que passam despercebidas não aparecem nos números.
As mulheres também recebem o diagnóstico mais tarde, em média. Muitas são avaliadas primeiro para outras coisas, e algumas só percebem que podem ser autistas quando um filho ou uma filha passa por avaliação, ou depois de ler relatos de outras mulheres.
Por que o autismo em mulheres tantas vezes passa despercebido
As descrições se basearam em meninos
Muito do que sabemos sobre autismo vem de pesquisas com meninos. Por isso, as descrições, os questionários e as expectativas dos profissionais foram moldados pela forma como o autismo costuma aparecer nos meninos. Meninas que não se encaixam nesse quadro passam despercebidas com mais facilidade.
Mascaramento e camuflagem
Muitas meninas autistas aprendem cedo a observar e imitar os outros para se encaixar. Elas podem ter uma amiga para seguir, ensaiar o que vão dizer ou se forçar a fazer contato visual. Isso se chama mascaramento. Pode esconder as dificuldades, mas muitas vezes custa muita energia. Leia mais no nosso artigo sobre mascaramento autista e o CAT-Q.
Interesses que não chamam atenção
Pessoas autistas muitas vezes têm interesses intensos. Nas meninas, eles costumam ser coisas que parecem comuns, como animais, livros, música, determinadas séries de TV, psicologia ou pessoas. O que difere não é tanto o tema, mas a intensidade: quanto tempo e energia são dedicados a ele e quanto ele importa.
Quietas, e não agitadas
Muitas meninas autistas são descritas como tímidas, quietas ou “comportadas”. Dificuldades que aparecem como isolamento, exaustão ou ansiedade chamam menos atenção do que comportamentos que atrapalham os outros. Muitas se seguram na escola e desmoronam em casa.
Sinais que podem indicar autismo em mulheres
O autismo se manifesta de forma diferente em cada pessoa, mas muitas mulheres autistas se reconhecem em parte disto:
- Sentir-se diferente dos outros desde sempre, sem saber por quê.
- Amizades difíceis de entender ou de manter, ou que funcionam melhor a dois.
- Ficar exausta depois de situações sociais, mesmo das que você curte.
- Analisar as conversas depois e se preocupar com a ideia de ter dito algo errado.
- Reações fortes a sons, luz, cheiros, roupas ou texturas.
- Uma grande necessidade de previsibilidade e achar mudanças repentinas muito estressantes.
- Interesses intensos aos quais você consegue se dedicar por horas.
- Entender as coisas ao pé da letra ou ter dificuldade de perceber o que as pessoas querem dizer quando dão indiretas.
- Fases de burnout, ansiedade ou depressão, principalmente em períodos de muitas exigências.
Nenhum desses sinais, sozinho, significa que você é autista. O que importa é o padrão geral e se os traços existem desde a infância.
Diagnósticos errados e condições associadas
Muitas mulheres autistas já foram avaliadas ou diagnosticadas primeiro com outras coisas, como ansiedade, depressão, transtornos alimentares, TDAH ou transtornos de personalidade. Às vezes esses diagnósticos estão certos e coexistem com o autismo. Outras vezes descrevem as consequências de anos de mascaramento e estresse, e não a causa. Reconhecer o autismo pode facilitar também a busca da ajuda certa para as outras dificuldades.
Questionários de triagem e mulheres
Questionários de triagem como o AQ-50 e o RAADS-R também podem ser úteis para mulheres, mas podem subestimar os traços de quem mascara muito. Algumas dicas:
- Responda com base em como as coisas são para você por dentro, e não só em como você se comporta por fora.
- Pense em como você era na infância. O RAADS-R pergunta tanto sobre agora quanto sobre antes dos 16 anos.
- Faça também o CAT-Q para ver o quanto você camufla. Uma pontuação alta no CAT-Q junto com uma pontuação moderada nos outros testes pode ser um sinal de que os seus traços ficam escondidos.
O que você pode fazer?
Se você se reconhece, pode começar lendo relatos de outras mulheres autistas e fazendo alguns questionários de triagem. Se quiser uma avaliação, ajuda procurar um profissional com experiência em autismo em adultos e em mulheres. Leia o nosso guia sobre como conseguir uma avaliação de autismo na vida adulta.
Com ou sem diagnóstico, entender melhor a si mesma pode fazer uma grande diferença. Muitas mulheres contam que finalmente conseguiram dar sentido às próprias experiências e parar de se culpar por coisas que sempre foram difíceis.
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